Chega um momento na vida em que a alma se cansa do superficial. As
respostas prontas já não satisfazem, as experiências rasas já não transformam e
as palavras repetidas perdem o poder de tocar o coração. É nesse ponto que algo
desperta dentro de nós e sussurra: O raso não me serve mais.
Por muito tempo, é possível viver apenas na margem — com os pés molhados,
mas sem mergulhar. Frequentar ambientes espirituais sem profundidade, orar sem
entrega, ler a palavra sem permitir que ela nos confronte. O raso é
confortável, previsível e seguro. Mas também é limitado. Ele refresca, mas não
cura. Informa, mas não transforma. Deus, porém, não nos chama para a
margem. Ele nos convida para águas mais profundas, onde o controle humano já
não é suficiente e a dependência se torna total.
No profundo, não vemos o fundo com clareza, mas aprendemos a confiar. No
profundo, não há espaço para máscaras, pois tudo o que somos vem à tona. É ali
que a fé deixa de ser discurso e passa a ser vivência.
Mergulhar exige coragem. Exige abrir mão da superficialidade espiritual,
das rotinas vazias e de uma fé que só funciona quando tudo vai bem. O profundo
nos confronta, nos trata e, muitas vezes, nos quebra — mas nunca sem propósito.
Deus usa as profundezas para revelar quem realmente somos e, principalmente,
quem Ele é.
Quando dizemos que o raso não nos serve mais, estamos declarando que
queremos mais de Deus do que apenas bênçãos ocasionais. Queremos presença.
Queremos transformação. Queremos ser moldados, ainda que isso doa. Preferimos o
silêncio que ensina à barulheira que distrai. Preferimos a verdade que liberta
ao conforto que aprisiona.
Este é um chamado à maturidade espiritual. Um convite para deixar a fé
infantil e avançar para uma vida de intimidade real com Deus. O profundo
não é para os perfeitos, mas para os dispostos. Não para os que sabem tudo, mas
para os que têm fome e sede.
Hoje, a oração do coração é simples e sincera: “Senhor, leva-me além
da margem. O raso não me serve mais.” Que essa decisão marque um novo
tempo — não de aparência, mas de profundidade; não de religiosidade, mas de
relacionamento; não de sobrevivência espiritual, mas de vida abundante em Deus
.
Pr Lehandro Souza -
Sirinhaém
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